Cancro da Mama

Informações sobre o cancro da mama.

Os perigos de retardar o diagnóstico

Maria sempre tivera receio de examinar os seios a fim de detectar modificações. Há algum tempo que tinha a impressão de ter os seios diferentes. Mas não conseguia resolver-se a ir ao médico, pois tinha medo do que ele pudesse encontrar. Um dia, ao vestir-se, reparou que a pele do peito metia para dentro, quando levantava os braços. Depois de semanas de hesitação, decidiu-se a consultar o médico.

Dados Pessoais

Nome: Maria dos Anjos Idade: 54 Profissão: Estilista de moda Família: Sem história de doenças graves.

Passado Clínico

Maria toda a vida tivera medo de doenças, evitando sempre a consulta de médicos. Não fumava nem bebia. Tinha grande cuidado na aparência e observava uma dieta cuidadosa.

A consulta

Durante o exame físico o médico desco­briu um caroço rijo bem evidente na fa­ce superior externa do seio direito de Maria, e perguntou-lhe há quanto tempo o tinha; ela, porém, ignorava-o, pois nunca se auto-examinara, limitan­do-se a dizer que sempre tivera seios «caídos». O médico ficou seriamente preocupado e remeteu Maria para um cirurgião.

O ciurgião encontrou pequenos caroços sob o braço direito de Maria, o que representa sinal de que o cancro alastrou aos gânglios linfáticos próximos do seio.

O diagnóstico

O cirurgião informou Maria que, provavelmente, tinha Cancro da Mama. Explicou-lhe que necessitava de fazer uma biopsia ao tumor, e que o mesmo teria de ser removido, se necessário. Disse-lhe ainda que os sinais clínicos in­dicavam que o tumor tinha aderido à pele, por cima, e ao músculo do peito subjacente, sendo essa a razão por que a pele não se movia livremente quando le­vantava o braço. Uma prisão deste gé­nero é sinal de cancro a alastrar local­mente.

O exame do cirurgião revelou ainda que Maria tinha pequenos caroços rijos, do tamanho de uma ervilha, na axila do mesmo lado do tumor no seio: tratava-se dos gânglios linfáticos, para onde as células cancerosas deve­riam ter migrado. As imagens por res­sonância magnética não indicavam qualquer disseminação do cancro, de­tectável. O cirurgião informou-a de que com tratamento havia 60 a 75% de probabili­dades de recuperação. Explicou-lhe a doença com o maior pormenor e disse­-lhe que ela tinha à sua disposição uma equipa médica experiente no tratamento do cancro.

O médico operador informou-a ain­da que, embora não acreditasse em ci­rurgia radical, considerava absoluta­mente necessário remover todo o teci­do obviamente canceroso. Maria teria de submeter-se a quimioterapia a fim de destruir as células malignas, a que se seguiria a intervenção cirúrgica e radiação. Teria ainda de tomar um medicamento antiestrogénio - o Tamoxifen -, caso o temor tivesse recep­tores de estrogénio. Este medicamento é de grande auxílio no tratamento do cancro da mama nas mulheres que já passaram a menopausa, dado que re­duz as hipóteses de disseminação do cancro ao produzir a neutralização da hormona sexual feminina estrogénio, que encorap o crescimento de células cancerosas.

O cirurgião informou ainda Maria de que uma operação de cirurgia plástica ao seio lhe restituiria a boa aparência. Ela concordou que nada se­ria pior do que deixar-se ficar a magi­car no cancro e autorizou a operação.

O tratamento

Maria foi submetida a uma mas­tectomia simples, com a remoção de todo o tecido aparentemente cancero­so. Parte do músculo sob o peito, que foi invadido pelo tumor, teve de ser igualmente removido, em conjunto com a pele. Fez radioterapia e foi me­dicada com Tamoxifen. A aplicação de uma prótese no peito fez-lhe subir imenso o moral: com o encorajamento das amigas, decidira ir avante com cirurgia plástica.

O resultado

Maria sentiu-se bem durante os dois anos seguintes, consultando regu­larmente o cirurgião para exames. Um dia, porém, tropeçou numa cesta de roupa, na saleta de costura. Ficou cheia de dores, chegando-se à conclu­são que tinha feito uma fractura do fé­mur esquerdo. A princípio, pensou-se que a fractura fosse devida a osteopo­rose, mas uma radiografia revelou si­nais inequívocos de cancro ósseo se­cundário. Uma ecografia indicou a presença de formações múltiplas de cancro secundário nos ossos, no fígado e em outras partes do corpo. Como é evidente houvera migração de células do tumor inicial (metastização).

Os médicos aconselharam a quimio­terapia, e Maria aceitou, sem hesita­ção. Actualmente, continua em trata­mento, sob vigilância médica.